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TEMPO

por Sara Silva, Licenciatura em Antropologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa


Dia X da quarentena. Já não sei a quantos vamos. Mais vale contar quantos faltam do que quantos passaram, dizem que o tempo passa mais rápido assim. A verdade é que não sabemos, ninguém sabe realmente. É díficil lidar com a incerteza, se tivessemos uma data no calendário para marcar seria tudo mais fácil. Para alguém como eu que não pode fazer nada, só esperar é lidar com os minutos e as horas. Tentar que sejam produtivos. O ser-humano precisa de um objectivo, de se sentir útil, de ter algo porque esperar. Especialmente para quem é ateu, o momento e as acções precisam de contar. Hoje falei com a minha avó, tem 86 anos, e pensei nisto. Está com medo de nunca mais poder ver isto os netos, pois todos os dias contam e a normalidade está longe de voltar. Leia mais