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Um parágrafo no confinamento com crianças

por Ricardo Falcão, doutorado em Estudos Africanos pelo ISCTE, investigador do Centro de Estudos Internacionais (CEI-ISCTE)


A minha filha mais velha, nove anos, leu recentemente “O Principezinho”, um pequeno tesouro que continua a passar de mão em mão. O livro foi oferecido por uma colega da mãe, que gentilmente lhe escreveu uma dedicatória, no seu último aniversário, já este ano, mas antes do COVID-19. A leitura completa precisou de alguma motivação “extra”, dada por um pai chato e de um período de corte de privilégios televisivos. Leu por não saber já o que fazer em relação à resposta negativa à pergunta: “Pai, já posso ver televisão?”. “Não, enquanto te mantiveres nesse automatismo de querer acabar tudo depressa, comer a correr, fazer os trabalhos sem prestar atenção, apenas para te ires embrutecer inativa à frente de um ecrã, não. Tu não estás proibida de ver televisão, nós vamos é mudar esse automatismo, acabar com ele, depois podes ver televisão”, disse-lhe o pai muito convencido do que estava a dizer. Leia mais